Algumas palavras...

Há tanto tempo nada escrevo que nem mais sei do que não deixei por aqui. Sinto-me só, embora possa dizer isso na "blogsfera", esse íntimo isolamento compartilhado. É verdade que nesse terreno plano que - goitacá boy vivo - há muitos outros planos. Na falta aparente de motivos me faço notívago de lugar nenhum e começo a bosquejar palavras perdidas nos cantos dessa pequena nota confessional. Conversei ontem tão folgadamente com meu amigo George sobre o cotidiano que não creio precisar correr mais do que preciso. Diz o poetinha Vinícius de Morais com sua benfazeja sabedoria etílica: "Houve um tempo que, em verdade, havia tempo". Saudade se faz companhia apenas depois de se dizer adeus. Rumo ao Rio de Janeiro para lá estudar e morar sem maldizer os anos de estudantes que vivi até então. Sangue, suor e idéias constituem a matéria-viva desse querer.
"De minha vida de estudante"
"Peguei um livro, logo o deixei de lado.
Contra meus desejos, não posso estudar.
Com a noite em calma em mim despertaram
uma sedutoras vontades de andar.
Iria cantando por alguma vila
o antigo estribilho de um velho cantar
e saudoso de todas as penas antigas
não me cansaria de andar e de andar.
Iria por todas as ruas distantes
olhando a vidraça de alguma ventana
contemplando o céu gris talvez cinzento.
Risonha a lua me iluminaria
lembrando penas eu não sentiria
mais que a alegria desse afastamento".
(Pablo Neruda in: "Cardernos de Temuco")

2 Comments:
muito legal o texto cara!
Verás que uma bela Therapia essa (risos)...
Um abraço
Oi Paulo,
Gostei de saber que vc está na bogsfera de novo, ainda mais com uma catarse desta regada à Pablo Neruda...
Bem, vim aqui também para te fazer convite para ver o que andei postando acerca de promoções de livros de História do Brasil. Vai lá... acho que vc vai gostar...
Até!
Márcia
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